Aqui

Imagino que a tenho, que a exerça, imagino que a sinta. Ou, preciso acreditar que não a perderei. Ela, a tão necessária lucidez.
Emmy Della-Porther

Um grito para além




Não fora a fantasia, não fora a fantasia
Há um não sei que estranho nesse jogo
Sobreveem um limite e não aceito
É toda uma angústia a promover alucinações
Saio de mim para um grito além
O desencontro narcisista das minhas desilusões
Se perdeu, objetos de uma realidade. Não a tenho


Sou o grande herdeiro das atividades alucinadas
Perdi a inspiração. Não há privilégio no meu sujeito
Sou in-particular. Não sei misturar peças desse jogo
Deixe-me em desprazer. Não suporto a linha tênue
Do equilíbrio de não ter o desequilíbrio do ser.
Finda a busca está para um grito além
Marcas de sucessivas transformações, ninguém quis.


Odeio as marcas que estão por toda parte mortalmente frias
Tão entranhadas que não se desprendem de mim, o pior das angústias
Quanto de legítimo temporariamente será o retorno indiferenciado?.
Entre o recalcado e o permitido uma infundada vivência inexplicável
Lugar onde não repouso e vou para um grito além
A essa insatisfação de viver só, no absoluto do só
Onde fracassam as possibilidades de volver a paixão.


Sou agora fera alucinada e sem equivalentes na vida
Imobilizaram-me, desfragmentaram-me, arrebentaram-me
Todas as liberdades repetidas vezes conquistadas dobraram-se
Até que não mais pudesse eu assistir-me
O real torna-se agora o tão impossível,impassível, irascível
O doce gosto ácido para um grito além
Sou esgotamento de todo desejo um dia sentido.

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